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Período de retorno: o que é e por que é tão importante?

Atualizado: Fev 8

O período de retorno é o tempo médio em que um determinado evento natural é igualado ou superado. No caso da drenagem urbana, estamos falando da intensidade e duração de uma chuva.

Três trabalhadores em uma obra


Quando vai cair novamente uma chuva igual aquela?


O que parece ser um exercício de adivinhação é, na verdade, um cálculo necessário em obras de construção civil.


Se você trabalha na área, sabe bem o tamanho do impacto que um fenômeno natural pode causar.


Enchentes, tempestades, chuvas de granizo, secas e outras intempéries, podem causar grandes prejuízos em um projeto.


Por isso, a necessidade de termos calculado o período de retorno.


Ele nada mais é do que o período de tempo médio em que um determinado evento é igualado ou superado pelo menos uma vez.


Na prática, isso significa que ao iniciar um projeto de drenagem, determinamos um período para que o evento, no caso a chuva, ocorra. Assim, devemos saber qual a chance dela cair em semelhante ou maior proporção do que uma que ocorreu anteriormente.


Se determinamos um período de retorno de 10 anos para uma chuva, isso não significa que ela só vai acontecer daqui a 10 anos, mas que durante esse período, pelo menos uma vez, ela vai ser igualada ou superada.


Isso está diretamente ligado com a segurança da obra, influenciando diretamente a vazão final do projeto.


Com isso, conseguimos determinar melhor a segurança do trabalho.


Outra definição que podemos dar para o período de retorno é que ele é o inverso da probabilidade da ocorrência de um determinado evento em um ano qualquer.


Ficou difícil? Vamos explicar.


Se definirmos um período de retorno de 100 anos, já sabemos que isso significa que pelo menos uma vez em 100 anos, aquela determinada chuva vai ser igualada ou superada.


Mas, com essa nova definição, também podemos entender que há a probabilidade de 1% em um ano de que essa chuva se repita e, assim, a obra que dimensionamos poderá não suportar a vazão do projeto.


Período de retorno e o impacto no controle de enchentes


O período de retorno está diretamente ligado com grande parte dos problemas que acontecem na área de controle de enchentes em obras de micro e macrodrenagem.


Afinal de contas, para determinar as precipitações, é necessário determinar o período de retorno correto.


Se essa definição é feita de forma incorreta, todo nosso sistema de drenagem pode ser prejudicado.


No meio urbano, principalmente em áreas antigas, é comum observamos erros nessa definição.


No centro velho de São Paulo, por exemplo, todo período de retorno utilizado para o cálculo das galerias, boca de lobo, guias e sarjetas estão calculadas em um período entre 2 e 5 anos.


Para uma galeria de águas pluviais, isso é muito baixo, principalmente em uma metrópole como São Paulo.


Conforme nós aumentamos a área urbana, aumentamos também os índices de chuva.


Na capital paulista, especificamente por conta da zona de alta temperatura no centro, os níveis precipitação vão ficando maiores.


No resto do Brasil, além do problema citado em São Paulo, muitos rios e córregos não foram dimensionados para um período de retorno de 100 anos, o que acaba causando inundações frequentes.


O ideal, nesses casos, é que além do dimensionamento em 100 anos, o engenheiro verifique a faixa de emulação da região e extrapole onde ele não pode urbanizar de forma alguma.


Mapa da curva dos 100 anos


Em alguns países, quando uma pessoa compra um terreno para construir uma casa, a prefeitura disponibiliza um mapa indicando até onde chega a água de inundação, com o período de retorno de 100 anos.


Ele é conhecido como o Mapa da curva dos 100 anos.


No Brasil, o poder público não possui essa informação e inclusive ele próprio realiza construções perto de córregos e rios, o que é um erro grave.


Calculando o período de retorno


O período de retorno é demonstrado pela equação:


P = 1/T


P = Probabilidade

T = Frequência


Cada construção ou recurso natural tem uma indicação de cálculo para seu período de retorno. Por exemplo:

  • Galerias de águas pluviais prediais e públicas ≥ 25 anos (P = 1/25 ou 4%)

  • Reservatório de detenção dentro do lote = 25 anos

  • Rios e canais = 100 anos (P = 1/100 ou 1%)

  • Bueiros ≥ 100 anos (P = 1/100 ou 1%)

Lembrando que o cálculo é para descobrimos a probabilidade do evento ocorrer.


Para o contrário, ou seja, ver a chance da chuva não acontecer, basta inverter a fórmula:


P = 1 -1/T


Assim, em um período de retorno de 100 anos, a probabilidade de não ocorrer a chuva em um ano é de 99%.


Em função dessas fórmulas, chegamos na seguinte tabela:



Perceba que quanto menor o período de retorno e maior o tempo da obra, maior a probabilidade que ela seja atingida pela chuva.


Vale lembrar que os danos causados por uma inundação, vão variar de obra para obra.


Por exemplo, segundo o professor Plínio Tomaz, uma enchente em um coletor de águas pluviais em estradas vai impactar diretamente o trânsito do local.


Já em um controle urbano de inundação, os principais riscos são os danos às propriedades e à infraestrutura.


Por não existir uma norma para a drenagem urbana, o PR vai ser estimado pelas prefeituras e órgãos públicos de cada município. Por isso, confira a tabela local antes de iniciar uma obra.


Essas informações e muito mais, você encontra no nosso Curso de Drenagem Urbana.
















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